Felipe Conti

Felipe Conti

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Do novo ao velho.

(A meu pai Paulo)


A velha farda de soldado magro,
o dicionário antigo com vestígios de saudade,
o recalcado chão de fábrica forrado a pó de ferro;
o ferro de solda e os fios flexíveis que, contudo,
às vezes, foram tão inflexíveis contigo:
você absolveu todos eles. Estão perdoados.
Você os libertou de suas formas frias,
e livres, todos eles puderam dizer: vencemos!
Porque precisaram, antes, das suas mãos e do seu engenho
e por amor foram transformados.
E você venceu. Você sabe que sim
e sabe que as tristezas de ser gente, sem corruptelas,valem a pena.
Mesmo que tenham tirado de você o tempo de ver os seus frutos crescerem,
hoje, os frutos já maduros, devem-lhe a vida e a maciez.
E quando os rios da sua vida erraram o curso, meu velho, você se atirou na correnteza,
molhou-se até o queixo e retirou-se com frio, com força.
E trouxe peixes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário