Felipe Conti

Felipe Conti

quinta-feira, 19 de março de 2015

Minha lei (burocracia necessária).

Variar.
Tenho esse direito: o de variar.
Tenho como certeza essa qualidade
de quem sabe ausentar-se dos podres.
Variar é necessário onde pessoas nuas trafegam
para vestirem-se de fios de vidro incolor,
tão claros; esqueceram-se da mestra e
da vida que ela (nos) leva. Devo ter pena?
Devo ter métodos?
Devo variar.

domingo, 15 de março de 2015

Confusão cognitiva.

Tenho míseros trinta minutos para retirar-me 
do quarto e, então, poder quebrar mais algumas 
fábulas, no sentido crasso de que devo lê-las e 
cuspir fora os estratagemas.
Não faz sentido que eu me ponha nesta marcha
para o bem de toda essa máquina gigantemente
colocada sobre as cabeças dos homens e mulheres
e crianças deste país, considerando-se que meu maior 
presente – que mais faz-me chorar – veio da rua e tem vida.
Será difícil entender-me? 
Seria eu mais um poema?
Poema de chula utilidade?
Não passaram-se os tempos da truculência;
admiro agora, as palavras e outros animais
porque os indivíduos deixaram-me 
para a lenta morte social.  

segunda-feira, 9 de março de 2015

Poema à cachorra resgatada das águas de um rio e dentro de um saco plástico.

Tentaram contra sua vida, entretanto, permanece viva
e de tal forma que nem mesmo compreendo 
como pôde manter-se dentro de tudo aquilo
que não poderia ser de nenhuma forma, mas foi;
pela tristeza deste espécime que se desculpa: foi.
Simples, não é? Você farejou pelas ruas mais tortas,
as botas tortas foram-lhe pregadas; a dor da rua
foi real e isso estava presente dentro do saco plástico
estúpido de humano estúpido.
Vale ainda o valioso conselho da mamãe que pede 
vagarosamente que eu
jamais me meta com os ilusores e piadistas
desta cidade.