A carabina dispara balas.
Que engraçado: disparou uma salva de palmas
contra a multidão honesta do país
onde mão que bate não é tapa,
bala que pega, mata.
E mata.
O disparo é suficiente
para interpretar um tapa que,
como um sopro, arrebata a única chance.
A carabina trezentos tiros por minuto
quer mesmo é disparar e com o soldado
brincar de proteção ao rei.
Felipe Conti
sábado, 30 de maio de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Pólvora.
Estive montado na
bala nos últimos anos,
descobri o lado tão
frágil da vida
e todas as outras
imbecilidades são agora
consideradas
bobeiras do ócio.
Estive montado na
bala mas não apertei o gatilho
e os dias me parecem
como bolachas de polvilho
em copo d'água:
espalham-se para nunca mais.
Sigo rente à ogiva
que paira e se estabelece
nesses céus que
reluziam em prata.
Há uma voz que
despedaça:
“o que farei
depois da explosão?”
Sigo frente a ogiva
dos meus sonhos
que
indiscutivelmente colidirá seus megatons
contra a
parafernália mecânica e grande
e engenhosa e
magnífica.
Enquanto a distância
da lua estupra a cabeça,
existe seriamente a
possibilidade da mitologia
para esboçar
resposta. Sabemos e negamos; tolice.
Existe a
não-sobriedade e também a idade
que ainda não
chegou ao cais dos percorridos.
Carne fresca.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Sobre a nomenclatura.
Morena-vida-verdade;
assim fez-se a
dádiva da vida,
assim fez-se a
realidade que mata.
Tão dura é a
constância do amor
frente a incerteza
da vida e do dia
que agora espero
pelo mesmo amor
e contemplo este
mesmo dia que vivo.
Este amor, um gesto
de guerra
que necessita da paz
de bandeira branca
que num campo
estende-se, sem jamais
abandonar a ofensiva
do front.
Seu cheiro na
ausência do perfume
e seu corpo sem a
mesquinhez da roupa:
a exatidão da vida
que ainda não veio.
E virá.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Não-amor.
Voe, voe pássaro do amor.
Não podem mais permanecer aqui
essas asas que querem cobrir toda a poesia;
deixe-nos escrever também sobre
as ásperas atitudes que cercam
o pobre e grande itinerário humano.
Posso sim levantar a marca do não-amor
e levar o oposto apenas a quem vier com tranquilidade.
Mas não mais me tomará o tempo de um dia inteiro?
Assim espera-se até que venha a falhar novamente.
Não podem mais permanecer aqui
essas asas que querem cobrir toda a poesia;
deixe-nos escrever também sobre
as ásperas atitudes que cercam
o pobre e grande itinerário humano.
Posso sim levantar a marca do não-amor
e levar o oposto apenas a quem vier com tranquilidade.
Mas não mais me tomará o tempo de um dia inteiro?
Assim espera-se até que venha a falhar novamente.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Desequilibrista.
Observe a finita
corda íngreme
que estende-se daqui
ao lado cinza da borda:
sobre ela
cambalearei recitando nomes
que amei durante o
desequilíbrio;
porque um
desequilibrista experiente
nunca sabe a hora de
retroceder.
Sabe ele que certas
perguntas
quebram o protocolo
de segurança
e o colocam à beira
da incerteza.
Ainda é possível
prever minúsculos
detalhes do
precipício, mas é em vã utilidade.
Desequilibristas e
seus dias monofásicos: um erro
ou um acerto de
contas? Saindo pela porta,
ainda consigo
situar-me nesta cidade
mas não é
exatamente isso o que eu quero saber.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
O terceiro dia.
Me disse, você, que eu ficaria em maus lençóis sem o seu itinerário
mas fui removido propositalmente e com isso permaneço com a glória de meu nome.
Acredite: de manhã as cores ainda se apresentam em espetáculo;
acredita-se, por essas bandas daqui, que o humano é bom
quando a veia alterada pula no braço e do braço para a própria vida.
Não justifiquei minhas pernas com a distância geográfica
e detectei a existência de coisas bem maiores que o chão.
Você não compreendeu e deixou-se levar por números de marcação.
Ainda vivo, apesar de estranhar minha época, a minha maravilha: descobri que posso.
mas fui removido propositalmente e com isso permaneço com a glória de meu nome.
Acredite: de manhã as cores ainda se apresentam em espetáculo;
acredita-se, por essas bandas daqui, que o humano é bom
quando a veia alterada pula no braço e do braço para a própria vida.
Não justifiquei minhas pernas com a distância geográfica
e detectei a existência de coisas bem maiores que o chão.
Você não compreendeu e deixou-se levar por números de marcação.
Ainda vivo, apesar de estranhar minha época, a minha maravilha: descobri que posso.
Assinar:
Postagens (Atom)