Felipe Conti

Felipe Conti

domingo, 14 de setembro de 2014

O que tenho a dizer, quarta-feira.

Do quarto eu reparo:
o apito do trem devora a cidade. 
As pessoas devoram as calçadas
sem qualquer contestamento.
As calçadas devoram o tempo
que as pernas gastam para
percorrer a ansiedade
(essa coisa que dói).
Enquanto reparo, o tempo devora
esta quarta-feira tão minha,
com a gula desnecessária.
O tempo devora pessoas.

Bate-estacas.

O indivíduo comum é o bate-estacas social.
O bate-estacas penetra a estaca no chão
para que se edifique algo bem maior.
Chão adentro vão as atenções do dia,
o motivo do dia está também adentro.
Enquanto bate a estaca, o bate-estacas
observa o mundo que constrói em posse de outros.
E o seu barulho – dizem – é desnecessário.

O indivíduo comum vive esta mesma lamentação.