Felipe Conti

Felipe Conti

terça-feira, 22 de março de 2016

Preâmbulo rural.

Fui ver o homem trabalhar a terra.
Calei-me, permaneci suspenso.
Fui ver e derroquei, senti a força ubíqua
e retornei ao exímio estado;
lugar onde as cidades e suas fraudes
limitam-se na prosa da boca.
Fui ver o homem da terra trabalhar a terra
e sua ciência é maior do que a novidade,
numa espécie de tristeza que se desfaz e refaz na malícia,
no manejo da matéria espessa: coisas que jamais compreenderei.
Fui ver a casa no meio, simples e pouca, convenci-me
que a cidade não venceria (porque eu sei, me usaram).
Por isso o silêncio.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Madrugal.

Catei um rumo na madrugada:
o escuriço que guarda em mim uma chance de esquecimento,
expõe em cores bem fitadas a desordem natural do beijo
e todas as consequências claras desta tragédia que é o homem.
Não mais me esquecerei da noite desta cidade
e enquanto puder, retornarei para esclarecer-me
em seus porres da bebida mais fértil, que se faz nos muros
(é preciso deixar o que já se sabe das palavras
e vir a tornar-se novo).
Visitei velhos amigos e disseram-me
que o mundo está diurno e não pode voar.
Quem pediu para sentir o abismo?
Quem pediu para procurar a chaga?
Que deixem-me morrer de poesia.

domingo, 6 de março de 2016

Insignificância.

Quando eu retornar para casa e deixar a rua,
tornarei a deixar a casa e envolver a rua e,
de tal modo, que digam-me quem são os homens,
o que são quando a luz esfria e a fagulha expande-se.
- Eles querem é o estalar frenético do maquinário e
a explosão nuclear de sensações repetitivas!
Então sou filho do medo na época dos homens conturbados:
o que sobra da vida depois da masmorra do tempo –
o tempo monumental tão visitado?
Tempo de sujeitos sem predicado. Iludiram-se.
Apenas sei que a roupa, ainda que desgastada e inútil,
continua no envolto porque o que desperta,
realmente, nunca esteve lá fora.