Catei um rumo na madrugada:
o escuriço que guarda em mim uma chance de esquecimento,
expõe em cores bem fitadas a desordem natural do beijo
e todas as consequências claras desta tragédia que é o homem.
Não mais me esquecerei da noite desta cidade
e enquanto puder, retornarei para esclarecer-me
em seus porres da bebida mais fértil, que se faz nos muros
(é preciso deixar o que já se sabe das palavras
e vir a tornar-se novo).
Visitei velhos amigos e disseram-me
que o mundo está diurno e não pode voar.
Quem pediu para sentir o abismo?
Quem pediu para procurar a chaga?
Que deixem-me morrer de poesia.
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