Felipe Conti

Felipe Conti

domingo, 31 de janeiro de 2016

Recuo.

Recuou as letras.
Preferiu rearrumar os papéis para o tédio urbano,
para a vida urbana, sem entonação nem beira.
Pôs os pés na rua.
Ruas de tráfego alterado, homens alterados de diesel,
de insolubilidades do meio.
O que desejam as pernas nessas condições?
Tempo frio na fronteira entre os braços que, quando dia,
contorcem-se buscando solução para tamanho problema,
interminável problema do homem: aquilo que ainda não veio,
o que ainda não tem forma.
Está vestido de roupas que não lhe cabem na mala,
no corpo, na sapiência, no orçamento. Na ciência também não.
Recuou as letras para não retrucar com pedras, que doem muito mais.
A incompatibilidade nos tornou animais, caro espécime.
Sigamos em frente, já que poucos se arrumam e se distorcem

a fim de encontrar o que realmente pulsa.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Básico.

Olhos quando falam, a boca:
partes essenciais de um todo volumoso
dos seus planetas, da sua galáxia rígida,
mas que se pode andar, mesmo com a expansão 
dos braços, pernas, destes convites inconscientes.
Convites extraterrenos, onde a gravidade foge:
a gravidade deste nosso envolvimento tão circular
entre os corpos. Veja os nossos corpos e
o espaço ocupado pela incessante vontade
de orbitar contigo, juntos, nesta incerteza.