Qualquer forma de convocação do tempo resulta da incompatibilidade;
chame o tempo para a adaptação – a tentativa – mas em vão esforço.
Os emaranhados semanais inadaptáveis e
o homem que toca a gaita na travessia: incompatíveis.
A ciência que abriga carrilhões em mentes frescas e
joga-lhes a pensar diferentes formas de consolidação da vida, é necessária
visto que o homem que teleguia e ensina confusos a darem as mãos e
as promessas de um campo de pura bondade não trazem efeito.
Não há compatibilidade alguma de onde não há naturalidade alguma;
e enquanto cães brincam na rua, devo eu repetir a seriedade
de um indivíduo deste mesmo defeito, tão bem silhuetado.
Ninguém suporta a incompatibilidade, preferem à bomba atômica
que subitamente devora.
Felipe Conti
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Desnecessário.
Olharam-me e repreenderam-me
pelo barulho do copo vazio que esbarrei
(não o quebrei);
não conheceram, ao menos,
os barulhos mentais que não
consegui abater. Normal.
O estranho: são íntimos, tão íntimos.
Não permitirei esta tirania novamente.
pelo barulho do copo vazio que esbarrei
(não o quebrei);
não conheceram, ao menos,
os barulhos mentais que não
consegui abater. Normal.
O estranho: são íntimos, tão íntimos.
Não permitirei esta tirania novamente.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Verdade.
Os
poderosos não podem contra os versos
porque ocupam-se a registrar apenas seus autos,
seus empreendimentos da cidade e seu gado,
e suas reuniões de gabinete;
os poetas – possuindo apenas o tempo –
registram as perdas do grupo todo
para que todos também registrem
os lamentos da vida.
porque ocupam-se a registrar apenas seus autos,
seus empreendimentos da cidade e seu gado,
e suas reuniões de gabinete;
os poetas – possuindo apenas o tempo –
registram as perdas do grupo todo
para que todos também registrem
os lamentos da vida.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Poema da inconformidade.
O soldado de bronze no pedestal da praça
jamais cedeu cobertura a alguém que
quisesse enfrentar os dias de sol tão quente,
mas seus gestos uniformes dão-me a certeza
de que os homens deste lugar amam a guerra.
jamais cedeu cobertura a alguém que
quisesse enfrentar os dias de sol tão quente,
mas seus gestos uniformes dão-me a certeza
de que os homens deste lugar amam a guerra.
Mesmo que ali esteja para encenar aos esquecidos
as dores dos homens que não voltaram
com suas balas de carabinas frenéticas e malucas,
os gestos da guerra se encerram na silhueta
de bronze, o que dói tanto, o que não aceita-se.
as dores dos homens que não voltaram
com suas balas de carabinas frenéticas e malucas,
os gestos da guerra se encerram na silhueta
de bronze, o que dói tanto, o que não aceita-se.
E deste lado eu amo os meus e persisto a lamentar
a estátua, fria e incondicional; desbotada.
Sabemos: nem tudo é amor.
Mas a guerra – me parece – está em toda parte.
a estátua, fria e incondicional; desbotada.
Sabemos: nem tudo é amor.
Mas a guerra – me parece – está em toda parte.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Urgência.
Deixem a mensagem
aos futuros:
Pagamos preços
doloridos demais
por aqueles que
dormem em cima dos muros.
Não é preciso
rimar o que resta para saber
das consequências –
mais trágicas que a morte ocidental.
Médias são as
atitudes de vida destes tijolos.
Desejam o alto da
pilha: perdem-se no médio da vida.
Médias são as
dissoluções de mistérios destes tijolos.
Que não perguntem
como vivem; que não
os convidem para uma
conversa
ao chão do quintal:
de lá não descem.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Lâmpadas.
Trocar ideias:
tão necessário
nesta tarde.
Acrescenta-se ao sol
a certeza de que
quem troca signos
termina
acrescentando mais
na volta.
E na ida, apenas
se vê o esforço
de querer saber um
pouco
mais da vida e do
mundo
dos chegados.
Trocar ideias
e trocar também
o tempo, as maneiras
de se debruçar na
grama
e a escova de
dentes.
Trocar a mentalidade
que às vezes se
atrasa
com relógio
quebrado
em pulso raquítico
e seguir em frente.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Momento da vida.
Perdi o encanto
pelas cidades.
É verdade, agora se
fez. Já acontece.
E daí, o que os
outros dirão?
Desencantei-me pelas
cidades
por que eu vi.
Ninguém me arrancará
os bancos das praças
da cara
por que não podem
com o tempo – ninguém pode.
Eu cometi este grave
erro. Erro?
A noite também
erra; já o dia
erra conforme é
vigiado pelos indivíduos.
O que estou falando?
As cidades. Mas
indivíduos são cidades
menores de trânsitos
maiores
e turbulências
fantasiosas.
Não sei mais o que
me guardam
as cidades.
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