O morador da rua é a metáfora do anti-amanhã.
Termo que não existe; agora eu o proclamo
para explicar certa desistência.
Vi camaradas expostos nas ruas.
O amanhã não se abriu, impactou-se.
O amanhã assim não vigorou, deixou meus irmãos para trás
na boca dos lobos carniceiros de cidade pequena.
A precipitação se inicia na rua de trás e nas outras,
a vida segue e a cabeça caduca na lua.
Na rua de trás e nas outras mil da cidade.
Tudo tão repetitivo como o belo ciclo
da bela vida social daqueles que sentem
a necessidade de descartar seu exemplar
para a segurança do inimigo moralista.
Felipe Conti
quarta-feira, 29 de julho de 2015
domingo, 12 de julho de 2015
Elegia a Itajubá.
Itajubá triunfa abaixo das pedras onde
outrora venciam as águas.
Para onde foram? A madrugada
estabeleceu-se com as ruas ausentes de indivíduos:
elas mostraram maior compreensão sem
que precisasse dizer algum registro de número.
Trafego nessas ruas de conhecidas,
queridas silhuetas, inflamo meu motivo
e desmorono nas esquinas dos olhares
taquigráficos que duvidam de mim,
logo eu que sou filho teu, que em tempos
de guerra ergueria braços que ergueriam barricadas
em detrimento de outras forças que
jamais poderiam contigo, Itajubá.
O inimigo não teria chance mesmo que a
fábrica de armas fosse vítima do acaso ogival.
Que a cidade de sempre não se curve aos
corcundas que excederam o umbigo
e são visíveis quando dia; no centro
da cidade algumas latas de conserva guiam os autos
enquanto outros – que não moralizam –
comunicam-se e evoluem.
Itajubá, saberá você guiar-se quando
te esgotarem de um pensamento que já foi?
quarta-feira, 8 de julho de 2015
A ordem.
O
tempo existe para que se definhe
a
cada passo na calçada da pressa.
Nasce,
cresce, explode e definha;
nesta
ordem que nenhuma exaltação pode ocultar.
Todas
aquelas conversas que antes foram
amplamente
desejadas e executadas
em
praças tão convidativas e calmas,
definharam-se
sem cancelamento.
Nunca
adiaram esta verdade.
Nunca
cuspiram fora esta vespa
de
asas tão impossíveis de manobra.
É
que a manobra requer os olhos.
Tomem
cuidado com a ambivalência da vida:
uma
hora se está dentro, outra hora fora e
depois
a poesia é sempre a culpada.
Não
limpem as masmorras afim de
evitar
uma ilusão tão clara; limpem os olhos.
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