Felipe Conti

Felipe Conti

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pólvora.

Estive montado na bala nos últimos anos,
descobri o lado tão frágil da vida
e todas as outras imbecilidades são agora
consideradas bobeiras do ócio.
Estive montado na bala mas não apertei o gatilho
e os dias me parecem como bolachas de polvilho
em copo d'água: espalham-se para nunca mais.
Sigo rente à ogiva que paira e se estabelece
nesses céus que reluziam em prata.
Há uma voz que despedaça:
“o que farei depois da explosão?”
Sigo frente a ogiva dos meus sonhos
que indiscutivelmente colidirá seus megatons
contra a parafernália mecânica e grande
e engenhosa e magnífica.
Enquanto a distância da lua estupra a cabeça,
existe seriamente a possibilidade da mitologia
para esboçar resposta. Sabemos e negamos; tolice.
Existe a não-sobriedade e também a idade
que ainda não chegou ao cais dos percorridos.
Carne fresca.

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