Estive montado na
bala nos últimos anos,
descobri o lado tão
frágil da vida
e todas as outras
imbecilidades são agora
consideradas
bobeiras do ócio.
Estive montado na
bala mas não apertei o gatilho
e os dias me parecem
como bolachas de polvilho
em copo d'água:
espalham-se para nunca mais.
Sigo rente à ogiva
que paira e se estabelece
nesses céus que
reluziam em prata.
Há uma voz que
despedaça:
“o que farei
depois da explosão?”
Sigo frente a ogiva
dos meus sonhos
que
indiscutivelmente colidirá seus megatons
contra a
parafernália mecânica e grande
e engenhosa e
magnífica.
Enquanto a distância
da lua estupra a cabeça,
existe seriamente a
possibilidade da mitologia
para esboçar
resposta. Sabemos e negamos; tolice.
Existe a
não-sobriedade e também a idade
que ainda não
chegou ao cais dos percorridos.
Carne fresca.
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