Felipe Conti

Felipe Conti

segunda-feira, 9 de março de 2015

Poema à cachorra resgatada das águas de um rio e dentro de um saco plástico.

Tentaram contra sua vida, entretanto, permanece viva
e de tal forma que nem mesmo compreendo 
como pôde manter-se dentro de tudo aquilo
que não poderia ser de nenhuma forma, mas foi;
pela tristeza deste espécime que se desculpa: foi.
Simples, não é? Você farejou pelas ruas mais tortas,
as botas tortas foram-lhe pregadas; a dor da rua
foi real e isso estava presente dentro do saco plástico
estúpido de humano estúpido.
Vale ainda o valioso conselho da mamãe que pede 
vagarosamente que eu
jamais me meta com os ilusores e piadistas
desta cidade.

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