A barba – este pêlo maciço –
tomou o rosto macio
e trouxe o maduro.
Mas
continua em desenho
o garoto.
Continua a silhueta do garoto.
Continua o riso do garoto.
Continua a malícia do garoto.
O exagero do garoto continua
no rosto.
Entre a face há sentinelas
em profundas trincheiras
que indicam, ao menor sinal,
a situação da tranquilidade.
Eu descobri.
É este o ponto referencial
de seu rosto:
a tranquilidade.
Felipe Conti
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
A barriga.
A flacidez da
barriga imita
a instabilidade do
dia, que existe
e encerra-se em
lugares de se escorar
que ofereçam boa
gestão das culpas.
A barriga tenta (e
consegue)
ludibriar a camisa
branca
e acompanhar o
desfecho do corpo
evitando um possível
remorso
quando o todo é
estático.
A barriga se apossa
das horas,
do espaço; em
tempos difíceis
transmuta-se:
travesseiro.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Do erro.
Humanizou os
símbolos errados.
Agora
deve levantar-se
pela manhã
e beijar um mundo
faminto de signos.
Humano é o vidro, o
espelho, o espectro,
o teto, o cansaço,
a calçada; humanas são as casas.
Essas casas
maravilhosas
onde derramou-se
pelas paredes;
e as gotas,
aglomeradas e frias,
suicidaram-se
saltando do copo - embora insistisse na permanência.
A noite errou.
domingo, 19 de outubro de 2014
Cinza-fumaça.
Cidade-cinza,
cidade-fumaça
ou qualquer outra
intenção
que exalte este
cinza fosco na vidraça,
como faz esta cidade
tão linda,
que hoje recebe em
pasmo
as cores de um
cinza-sem-graça.
domingo, 14 de setembro de 2014
O que tenho a dizer, quarta-feira.
Do
quarto eu reparo:
o
apito do trem devora a cidade.
As pessoas devoram as calçadas
sem qualquer contestamento.
As calçadas devoram o tempo
que as pernas gastam para
percorrer a ansiedade
(essa coisa que dói).
Enquanto reparo, o tempo devora
esta quarta-feira tão minha,
com a gula desnecessária.
O tempo devora pessoas.
As pessoas devoram as calçadas
sem qualquer contestamento.
As calçadas devoram o tempo
que as pernas gastam para
percorrer a ansiedade
(essa coisa que dói).
Enquanto reparo, o tempo devora
esta quarta-feira tão minha,
com a gula desnecessária.
O tempo devora pessoas.
Bate-estacas.
O indivíduo comum é
o bate-estacas social.
O bate-estacas
penetra a estaca no chão
para que se edifique
algo bem maior.
Chão adentro vão
as atenções do dia,
o motivo do dia está
também adentro.
Enquanto bate a
estaca, o bate-estacas
observa o mundo que
constrói em posse de outros.
E o seu barulho –
dizem – é desnecessário.
O indivíduo comum
vive esta mesma lamentação.
domingo, 3 de agosto de 2014
O olho no mundo.
Ah, essas águas que caem sobre as pedras.
Essas pedras. As águas novamente.
Todo esse caos me decompõe quieto e transcendente
em meu lugar de surgir, em minha truculência
de indivíduo social; minha debilidade
de animal, que anseia a não-brutalidade no tempo.
Eu, aqui, na tentativa de engatilhar a resposta
caso haja guerra entre os homens deste lugar.
Os estagnados pensam prosperar na
continuidade desses fatos que buscam o
Desnecessário Futebol Clube. Time de várzea.
A várzea dos falsos profetas da cidade.
Mas a resposta não há, quem conciliará o Universal?
Essa constância dos dias, tão estúpida, eu digo que
tenho minha inutilidade: jamais peguei em armas
e me pego correndo fora desta arbitrariedade cultivada.
Aprendi na dor: os que bebem e gritam pela rua à noite
não pertencem à espécie da mesquinhez aguda.
Apenas aqueles que colonizam e não acrescentam
opinião alguma, sobre coisa alguma.
Todo esse caos me decompõe quieto e transcendente
em meu lugar de surgir, em minha truculência
de indivíduo social; minha debilidade
de animal, que anseia a não-brutalidade no tempo.
Eu, aqui, na tentativa de engatilhar a resposta
caso haja guerra entre os homens deste lugar.
Os estagnados pensam prosperar na
continuidade desses fatos que buscam o
Desnecessário Futebol Clube. Time de várzea.
A várzea dos falsos profetas da cidade.
Mas a resposta não há, quem conciliará o Universal?
Essa constância dos dias, tão estúpida, eu digo que
tenho minha inutilidade: jamais peguei em armas
e me pego correndo fora desta arbitrariedade cultivada.
Aprendi na dor: os que bebem e gritam pela rua à noite
não pertencem à espécie da mesquinhez aguda.
Apenas aqueles que colonizam e não acrescentam
opinião alguma, sobre coisa alguma.
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