Felipe Conti

Felipe Conti

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A negreza da terra.

O café, bruto que é, impulsa minh'alma
qual os negros nossos, ancestrais
que ergueram este lugar.
Sofreram; e digo: também sofro,
sou feito de remorso e perdas lastimáveis.
Mas sei cantar canções que ecoam em torno
do sagrado dom de ser negro n'alma.

O café, preto que é, introjeta
esta negrura abundante que
me enche da riqueza incomparável
e remete ao berço continental
onde este espécime bípede, cujas mãos
impulsionaram a natureza;
também foram estas mãos
ao cárcere humilhadas pelo
tom pálido que cospe
o fogo dolorido de um pedestal
forjado.

Que dor eu sinto.

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