Felipe Conti

Felipe Conti

terça-feira, 19 de julho de 2016

Papillon.

Fujamos das cidades!
Aqui os corpos são frios
com muletas frágeis que caem
expondo a farsa, ainda de pé.
Poucos se salvaram.
Não posso mais alçar a trama humana,
epopeia fabulosa que pretende recolher a todos
na ideia triunfal da resolução das coisas
do mundo.
Gasta-se grande parte do dia a fraquejar
a moldura, para que se possa romper
o contrato civilizacional e, finalmente,
dar-nos a chave mestra.
Mas recusam-se a abrir a porta.
Deixem que esperem!
Posso eu agora, mesmo que fatigado,
reagrupar todos os nichos e todas as cores,
todos dentro do meu chafariz.
E iludir-me docemente até a velhice,
até o final do fim.

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