Viver sem suportar-se não é vida,
por mais que se viva, então,
por mais que se diga:
minhas pernas suportam-me!
Você que suporta-se nos ombros de vento:
verá nos outros somente os vendavais e
não verá a real elevação,
tão necessária, tão tangencial;
espiará somente o mundo das faces.
Você que suporta-se nos ombros perecíveis:
possui dedos que perecem ao fim do dia.
A cama está quente, mas sobre ela, apenas
mais um corpo. Nada mais, tudo bem menos.
As expectativas de plástico esmorecem ao travesseiro.
Você que não suporta: tão pouco eu suporto.
Mas nossos ombros juntos, se agrupam
mesmo que não nos cruzemos
nas ruas do nosso país; imenso país.
O mundo não é submundo e
esse teu ópio não lhe faz ser, assim, profundo.
É você que não se importa.
Você insiste, então, fecha a porta.
É você que não suporta.
A mão que escreve está morta.
Já não toca mais a terra
nem a descreve mais.
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