Felipe Conti

Felipe Conti

sábado, 17 de agosto de 2013

Alcatéia.

Bem vinda ao teu sonho abafado, bela moça.
Se sente tão bem num mundo tão indiscreto,
Mal sabe que a maldade lhe espia contente,
E mora nos olhos de quem diz lhe bem querer.

Idolatra os lobos carniceiros que lhe caçam,
Entregando-lhes de bandeja a carne fresca.
Condena as ovelhas sensatas que lhe repudiam,
E diz, por estupidez, ter elas carne mal amada.

Mal amada é tu, bela moça, e não percebe.
Se acaba nas noites de alegria, iludida,
Nas patas tortas daqueles que lhe despedaçam.
Acha que o fardo, assim, há de ficar leve.

Orienta-te, bela moça, não se afogue.
Não são os traços mais vistosos que a alma:
Tanto te ilude com quem pouco lhe gosta,
Pouco te encanta com quem muito te ama.

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